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segunda-feira, julho 6, 2026

Um Jarro e o Território: Desconstruindo Narrativas em 400 Anos de Missões

Em 2026, o Rio Grande do Sul se prepara para marcar os 400 anos do início das missões jesuíticas em seu território, uma efeméride que, por vezes, é celebrada em narrativas grandiosas e lineares. Contudo, é na minúcia de um objeto, que a complexidade desse processo histórico pode ser mais profundamente desvelada. Longe das grandes sínteses, um simples jarro de cerâmica, guardado no acervo do Museu oferece uma lente crítica para reavaliar a construção da memória. Este jarro, associado à Redução de Candelária do Caaçapamini, fundada em 1627, hoje atual município de Rolador, não é apenas um exemplar entre muitos; ele se destaca como uma peça única no acervo e da história da região, um testemunho singular de um tempo e de um espaço. Sua imagem, inclusive, transcendeu os limites do museu, adornando a capa do manual da revista Habitus em um dossiê dedicado à cerâmica guarani, o que atesta sua relevância não apenas histórica, mas também simbólica e acadêmica. No entanto, o interesse não reside apenas em sua visibilidade ou em sua singularidade formal. 

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