Com o anúncio de que os Estados Unidos irão impor uma tarifa de 50% a todos os produtos brasileiros, economistas e analistas reagiram com preocupação, devido aos possíveis impactos que a medida acarretará na economia brasileira. Em entrevista ao JM, a economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo, explica que os economistas receberam a notícia com certa surpresa, apesar das ameaças feitas por Trump durante sua campanha eleitoral.
Segundo ela, o anúncio das tarifas foi inesperado devido às relações comerciais amigáveis entre os dois países, que tornaram os Estados Unidos o segundo maior parceiro comercial do Brasil no ano de 2024, ficando atrás apenas da China. “Nós exportamos 40,4 bilhões de dólares e importamos 40,7 bilhões de dólares, isto é, tivemos um saldo negativo para o Brasil de cerca de 283 milhões de dólares, algo que agora, obviamente, vai sofrer com essa tarifação de 50% para todos os produtos, mais as tarifas extraordinárias sobre produtos específicos”, explica.
Na avaliação de Patrícia, a carta do presidente americano não dá espaços para manobras ou apelos brasileiros. Para alterar a situação, a economista opina que a solução mais provável partiria do próprio mercado interno americano que, com o aumento dos preços de produtos brasileiros, pode passar por um processo inflacionário. “Eu não acredito que movimentações nossas terão um grande apelo. Mas, obviamente, o Brasil tem que se movimentar, porque o que aconteceu na quarta-feira foi algo surpreendente e extremamente negativo para as empresas brasileiras”, conclui.
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