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sábado, abril 20, 2024

Pediatra há 60 anos

Na sala da casa em que mora há mais de 50 anos, no Centro de Ijuí, o médico Gilberto Pereira Gomes recebe a Stampa para contar sobre sua carreira e o fato de ser um dos primeiros pediatras formados no Rio Grande do Sul. Prestes a completar 60 anos de atuação, ele afirma que Deus é o responsável por tudo que aconteceu em sua vida profissional e de ter se casado com Regina, uma mulher determinada, companheira e dedicada com quem divide a vida, em um casamento que se completou com três filhos – Renan, Silvia e Rafael.
Filho do contabilista Brenno Pereira Gomes e de Selma Scherer Gomes, Gilberto estudou no Ruizinho, Ruizão, mas foi para a capital gaúcha finalizar o ginásio e estudar Medicina. Em Ijuí, ele foi desafiado, enquanto estudante, a escrever uma biografia sobre Rui Barbosa, que venceu, e teve os quatro anos do ginásio pagos pela prefeitura. Já na faculdade, se destacou em várias frentes, uma delas como editor-chefe e redator do jornal Bisturi. Também foi idealizador de um setor responsável por dar continuidade nas obras do Hospital das Clínicas, hoje um dos maiores do Estado e foi chefe da Emergência do hospital onde fazia residência médica.
“Minha formação foi na Santa Casa e o Hospital das Clínicas era só um esqueleto. Criei um departamento para terminar o Hospital das Clínicas, que depois foi ocupado por um colega. Fizemos um grande movimento com as autoridades e políticos para conseguir a continuação da obra, no começo dos anos 1960”.
Gilberto foi um dos primeiros médicos residentes do Rio Grande do Sul no começo dos anos 1960. “A Pediatria entrou na minha vida por influência de amigos e também pela oportunidade, pois enquanto era estudante, eu podia trabalhar e atuava no Hospital Santo Antônio. No segundo e terceiro ano de faculdade, a gente podia fazer plantão, era uma forma de sobreviver. Ganhei prática, e no quarto ano eu era chefe do plantão do Hospital Santo Antonio de Porto Alegre. Hoje em dia, isso seria impossível”.
Sempre com o desejo de voltar a morar e atuar em Ijuí, sua terra natal, Gilberto retornou para a cidade ao lado de sua amada, que conheceu em Porto Alegre. Aqui atuou no extinto Sandu, hoje Samu. Lembra que no começo de sua atuação na cidade, não tinha horário para nada, visto que atendia cerca de 60 pessoas por dia, inclusive nas madrugadas e nos finais de semana. “Trocava de avental até quatro vezes por dia”.
Na época, a demanda variava muito. Fez até partos, atuava no Centro de Saúde, no Sandu. “Ali fazia de tudo, desde suturas, enxertos, clínica geral. Naquele tempo, no meu consultório, atuava apenas como pediatra. Lembro que nós, médicos, tínhamos uma união muito grande, éramos muito solidários. Também comecei a fazer anestesia, pois não tinha anestesista, mas o que eu queria mesmo era atuar na minha área, a Pediatria”.

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