A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de reintegrar Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal desencadeou reações imediatas e divergentes no Congresso Nacional nesta quarta-feira (9). A medida, que revogou o afastamento monocrático assinado na véspera pelo ministro André Mendonça, aprofundou a polarização política em torno da crise institucional na Suprema Corte.
Parlamentares de oposição criticaram duramente a liminar de Dino, classificando a ação como uma afronta à decisão anterior de Mendonça — que já contava com votos favoráveis dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques na Segunda Turma antes do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apontaram atropelo regimental no STF. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a medida reflete disputas internas de poder na Corte e fragiliza a presidência de Edson Fachin. O partido Novo, autor da petição inicial que fundamentou a decisão de Mendonça com base nas citações a Rodrigues no caso Banco Master, divulgou nota afirmando que a recondução não liquida os fatos apurados.
Por outro lado, integrantes e aliados do governo federal defenderam a determinação de Dino. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, declarou que a medida reestabelece a autonomia institucional. Na mesma linha, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), e a liderança do PT argumentaram que o afastamento da cúpula da corporação ameaçava paralisar o andamento de inquéritos decisivos na reta final das investigações sobre o Banco Master.

