A pesquisadora da Universidade federal do Ceará (UFC), Lola Aronovich, foi ameaçada de morte por conta de resultados de seus estudos divulgados principalmente em seu blog e que apontam para uma cultura de ódio às mulheres financiada por quem lucra com ela na internet. Segundo a pesquisadora, só em 2024, mais de 14 mil denúncias de crime contra mulheres, entre elas jornalistas, foram oficialmente registradas e, depois, levaram à identificação de um esquema coordenado para atacar deliberadamente feministas e quem promovesse a ideia de colocar homens contra mulheres na luta por igualdades. Natali Carvalho, do Programa de Bolsa de Jornalismo Forus, explica que são ataques coordenados porque não acontecem de forma orgânica. São promovidos, segundo ela, para humilhar, perseguir e ameaçar mulheres deliberadamente. O problema vem acontecendo há anos no ambiente digital e tem feito reduzir a participação de mulheres na esfera social e política, com receio à sua própria vida. O negócio é rentável porque gera engajamento e isso interessa diretamente ao sistema capitalista. Quanto mais público, mais valor de mercado vai haver num espaço com força de mobilizar a opinião pública. É claro que esse patrocínio do ódio não se restringe a ataques ao campo do feminismo. Há ódios por todos os lados. Mas a pesquisadora da Universidade do Ceará focou a amostra nesse tipo de violência digital.
Ódio virtual monetizado

