Milhares de eleitores norte-americanos vão às urnas hoje (03), para renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados, pouco mais de um terço do Senado e diversos cargos locais e estaduais. No entanto, o pleito ocorre sob forte apreensão de que o presidente Donald Trump e a ala mais radical de seu governo voltem a contestar a lisura das eleições em caso de derrota.
O clima é de especial vigilância na Geórgia, estado emblemático pelos questionamentos nas presidenciais de 2020. O secretário de Estado da Geórgia, o republicano Brad Raffensperger, reforçou que a região adotou medidas de máxima segurança — como verificação de cidadania, apresentação de documento com foto e auditorias com cédulas em papel —, afirmando que as autoridades locais estão prontas para assegurar a legitimidade do pleito frente a eventuais pressões do Executivo federal.
O receio de interferência ou recusa dos resultados estende-se a outros estados competitivos, como Ohio, Alasca e Kansas. Democratas e agentes eleitorais acusam o governo federal de tentar utilizar o Departamento de Justiça e órgãos de imigração para obter acesso indevido a dados de eleitores, bloquear certificações locais ou alterar regras do voto por correio — iniciativas que já vêm sendo barradas pela Suprema Corte e por tribunais estaduais.
Especialistas e analistas políticos destacam que, diante do cenário desfavorável para os republicanos na Câmara e das baixas taxas de aprovação da gestão Trump, o presidente poderá recorrer a acusações de fraude, auditorias federais e manobras jurídicas para deslegitimar as vitórias da oposição.

