Grandes fabricantes chinesas de sistemas de armazenamento de energia, como a Jinko ESS e a CATL, iniciaram parcerias com empresas brasileiras do setor para viabilizar a nacionalização de projetos e ampliar a competitividade no leilão inédito promovido pelo governo brasileiro em dezembro.
Nesta segunda-feira (31), a Jinko ESS (do grupo JinkoSolar) assinou um memorando de entendimento com a UCB Power. O objetivo da cooperação é atender às exigências de conteúdo local da primeira etapa do leilão, marcada para o dia 2 de dezembro e voltada exclusivamente para baterias consideradas nacionais. A classificação de “nacional” permite o uso de células importadas — devido à ausência de produção desse componente no Brasil —, mas exige a nacionalização do restante da estrutura, como a montagem dos packs, softwares de gerenciamento e inversores. Segundo a UCB Power, a medida também visa facilitar o acesso a linhas de financiamento locais, como as do BNDES.
Em movimento semelhante, a chinesa CATL anunciou parceria com a brasileira Moura, em conjunto com uma líder no mercado de inversores, visando a produção local para o mesmo certame. Nenhuma das empresas detalhou os valores de investimento previstos para o processo de industrialização no país.
O leilão de armazenamento do setor elétrico atingiu um cadastramento recorde de mais de 296 gigawatts (GW) em projetos. Além da disputa para baterias com conteúdo nacional, o evento contará com uma segunda concorrência no dia 4 de dezembro, aberta a empreendimentos sem restrição de procedência tecnológica. Apesar da expectativa do mercado para o reforço da segurança energética e integração de renováveis, o certame enfrenta risco de judicialização em razão de divergências sobre os responsáveis pelo custeio da contratação dos sistemas.

