As exportações brasileiras de equipamentos para extração de petróleo com destino à Guiana alcançaram US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões) no período acumulado de 2020 a 2026. Segundo a Associação Brasileira de Bens e Serviços de Petróleo (ABESPetro), o segmento petrolífero — englobando a commodity, maquinários e tecnologia — saltou de uma representatividade de 0,3% em 2020 para 65% de todo o volume exportado pelo Brasil ao país vizinho.
Como reflexo dessa demanda, no estado do Rio de Janeiro as vendas externas de dispositivos como válvulas, torneiras e árvores de Natal submarinas passaram de R$ 230 milhões em 2021 para R$ 1 bilhão em 2025. Esses equipamentos de alto valor agregado contam com unidades que pesam até 40 toneladas e custam entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões cada. A pauta de exportações contempla ainda tubulações revestidas, dutos flexíveis e manifolds.
De acordo com o presidente da ABESPetro, Telmo Ghiorzi, a busca por mercados no exterior tornou-se fundamental para a sustentabilidade financeira da cadeia fabril de suprimentos devido ao ritmo lento de novas explorações no Brasil. Ghiorzi alerta para o risco de uma nova crise de abastecimento no país por volta de 2030, em razão do esgotamento gradual da produção do pré-sal sem a devida reposição de reservas. O executivo também citou a ausência de acordos de livre comércio entre o Brasil, a Guiana e o Suriname como um entrave que limita uma expansão ainda maior dessas exportações.

