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quarta-feira, abril 24, 2024

ESPECIAL: Mulheres de Março – Cinco atuações femininas

O Mês da Mulher”, porque acolhe o Dia Internacional da Mulher (8), costuma ser marcado por atividades das mais diversas, de variadas frentes, abarcando desde discussões políticas e de direito, às de comportamento, atuação, e até mesmo as festivas. Atualmente, com a amplitude das discussões, a ampla exposição de questionamentos e do próprio conceito ‘feminino’, amplia-se os direcionamentos para marcar março, que justamente por tantas possibilidades se apresenta tão plural, diversificado e multifacetado. Por isso, também, é seguro afirmar que a convenção comemorativa do “Mês da Mulher” passa por revisão e deverá desaguar em novas percepções, concepções e posicionamentos. A ver.

Aqui na Stampa, em seus 20 anos que se completam em junho, sempre houve pautas, e mesmo promoção de eventos, para marcar o “Mês da Mulher”. Entretanto, dar voz e destaque às mulheres é do nosso dia a dia, ou de nosso mês a mês, ao longo dessas duas décadas.
Redefinindo um título – “Mulheres de Março”, reafirmamos nossa prerrogativa de valorização, apoio e reconhecimento a elas nesta matéria especial. A escolha de nossas convidadas aqui foi orientada pela diversidade das atuações, numa tentativa de espelhar perfis de segmentos diferentes, em tempos distintos. Cada uma a seu modo, em seu universo, tem suas as histórias, suas experiências, suas batalhas, suas conquistas. Como todas as mulheres, em todos os meses.

Eronita,
a primeira reitora

“O que eu sempre quis foi ser professora”. Essa convicção que a professora Eronita Barcelos descobriu muito cedo, antes dos 6 anos, ela demonstra até hoje, aos 82 anos, e depois de ter construído uma trajetória em que reluz a condição de primeira reitora da nossa história. Ela assumiu o cargo na Universidade de Ijuí em 1998, em substituição a Walter Frantz, seu professor e amigo pessoal, a quem louva a imensa dedicação à universidade e destaca sua gratidão como professor e incansável companheiro de trabalho.
Nos dois mandatos de Frantz, Eronita foi sua pró-reitora de Graduação, e pela determinação do cargo, sua substituta nas ocasiões em que ele se ausentava, e foram muitas em seus seis anos da gestão. Foi uma época de muitas demandas da Unijuí e as viagens, uma exigência constante, em busca de recursos, de parcerias. “A Unijuí deve muito ao Walter”, afirma.
Segunda filha de seis irmãos, oriunda do interior de Soledade, criada em casa de chão batido, Eronita chegou a Ijuí em 1960, vinda do Colégio Santíssima Trindade, de Cruz Alta, onde concluiu a primeira etapa de seus estudos iniciados também em uma escola de freiras, a única existente na época, na sua cidade natal. “Meus pais não tinham quase nenhum estudo, mas um princípio, uma meta clara, a de que os filhos precisavam estudar”. Um desejo que a própria Eronita, muitos anos depois, já formada e estabelecida como professora em Ijuí, ajudou a concretizar – seus pais e todos os irmãos vieram para Ijuí e tiveram chance de estudar ou concluir os estudos.
Ao final de sua gestão como pró-reitora de Graduação, Eronita tinha apenas um desejo, aquele mesmo lá do início de sua caminhada, o de voltar para a sala de aula, e o manifestou ao reitor Frantz. “Meu desejo era fazer mestrado e doutorado, e havia uma proposta de uma universidade, onde já estavam vários ex-professores nossos, que eu pretendia aceitar.”
Entretanto, as articulações para a sucessão da reitoria estavam conflituosas e parte da comunidade interna passou a fazer um movimento para a formação de uma chapa aglutinadora, e Eronita era o nome de consenso para o cargo de reitora.
Não foi uma decisão fácil para ela. “Argumentei que não saberia ser reitora, que meu desejo era voltar para a sala de aula. Me assustei com o fato de ser a primeira mulher no cargo, antes mulheres só chegaram a pró-reitoras, a Antônia Bussmann e eu.” Argumentos vencidos, porque experiência não lhe faltava, depois de tantos anos de atuação na reitoria, e inúmeras vezes no próprio cargo de reitora, e com os colegas lhe assegurando total apoio, ela cedeu. Mas não antes de se aconselhar com professores e colegas por quem nutre grande respeito e admiração, especialmente Mario Osorio Marques e Argemiro Brum, já falecidos, dentre outros atuantes naquela época.

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