O Governo do Estado do Rio Grande do Sul desenvolve, por meio da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), diversas ações voltadas à valorização da educação escolar indígena. A iniciativa ganha destaque neste período em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril.
Atualmente, a rede estadual conta com 102 escolas indígenas, que atendem comunidades dos povos Kaingang, Guarani Mbyá e Xokleng. O modelo educacional adotado é diferenciado e intercultural, com ensino bilíngue ou multilíngue, desenvolvido em diálogo direto com as próprias comunidades.
Mais do que adaptar o ensino tradicional, a proposta busca construir uma educação baseada nas formas de viver, aprender e transmitir conhecimento de cada povo. O objetivo é garantir o direito à aprendizagem dentro dos territórios indígenas, valorizando a identidade cultural, os saberes tradicionais e as práticas comunitárias.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Censo 2022, mais de 36 mil indígenas vivem no Rio Grande do Sul. Nas escolas estaduais indígenas, são 6.882 estudantes atendidos por 772 professores, sendo que mais da metade pertence às próprias comunidades.
A maior parte das matrículas está no Ensino Fundamental, com 4.828 alunos. O Ensino Médio conta com 1.024 estudantes, a Educação Infantil soma 781 crianças e a Educação de Jovens e Adultos (EJA) reúne 357 matrículas. Entre as escolas indígenas da rede estadual, 19 oferecem Ensino Médio.
A Seduc também investe na oferta de Ensino Médio em Tempo Integral com formação profissional em duas instituições: o Instituto Estadual de Educação Indígena Ângelo Manhka Miguel, em São Valério do Sul, e a Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Antônio Kasin Mig, em Redentora.
Os currículos dessas escolas valorizam a língua materna, as artes tradicionais, os conhecimentos ancestrais e os ciclos culturais, garantindo que as atividades escolares estejam alinhadas com o cotidiano das comunidades indígenas. Além disso, as escolas participam de programas de formação continuada, como o Ação Saberes Indígenas na Escola, desenvolvido em parceria com universidades e o Ministério da Educação.

