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sexta-feira, julho 17, 2026

De quilombo à universidade: professor faz história como primeiro docente quilombola da UFRGS

Natural de Mostardas, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Jorge Amaro de Souza Borges superou barreiras sociais e históricas para se tornar o primeiro professor quilombola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS.

Nascido cerca de uma década antes da Constituição de 1988, em um período marcado por grandes limitações de acesso à educação para pessoas negras, pobres e quilombolas, Jorge teve sua formação iniciada fora da sala de aula. Segundo ele, a base do seu aprendizado veio da oralidade, uma tradição forte nas comunidades quilombolas, onde o conhecimento é transmitido pela escuta e pelas histórias.

Criado no Quilombo dos Teixeiras, ele cresceu inspirado pelas narrativas sobre o avô, conhecido como Totoca — um homem admirado por seus múltiplos saberes, que iam da leitura à matemática, além de habilidades como carpintaria e agrimensura. Esse exemplo despertou, ainda na infância, o desejo de aprender e compreender o mundo.

Ao longo da trajetória, Jorge construiu uma sólida formação acadêmica, com graduação em Biologia, mestrado em Educação, doutorado em Políticas Públicas e especializações. Hoje, sua conquista é celebrada não apenas como um feito pessoal, mas como uma vitória coletiva.

Para o professor, ocupar esse espaço representa a continuidade da luta de gerações. Ele afirma carregar consigo a força da ancestralidade, as histórias da sua comunidade e a resistência de um povo que sempre lutou pelo direito à educação, à terra e à dignidade.

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