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quarta-feira, abril 17, 2024

Capacitismo equivocado

A crítica que Lula fez sobre o desequilíbrio mental de jovens que estão matando em escolas teve uma reação desproporcional da Associação Brasileira de Psiquiatria. Baseada no que os norte-americanos chamam de “ableism” e que no Brasil vem sendo traduzido por “capacitismo”, a entidade repudiou as declarações do presidente por considerá-las preconceituosas contra sujeitos doentes.

É que o capacitismo está para pessoas com deficiência assim como a prática condenável do racismo está para pessoas negras, o machismo para as mulheres, etc. Trata-se de uma discriminação por motivo de deficiência. Em termos científicos, o capacitismo se baseia na noção de que existem certos tipos de pessoas e padrões corporais que são “normais”, isto é, típicos da espécie humana. Como a deficiência não tem a ver com a norma, para o capacitismo, a pessoa com deficiência é um estado diminuído do ser humano, entendendo que alguém tem que ser “curado”.

A crítica parece justa em todos os casos onde realmente se enxergam preconceitos contra a diversidade e contra maneiras de existir e de ser que se diferem dos padrões ditos normais. Porque ser diferente é normal. Só que aplicar este mesmo sentido a condutas doentias como patologias de sujeitos que matam outras pessoas só para que não sejam tratados pelo que são é distorcer o sentido da luta justa e social que se faz contra preconceitos.

A sociedade está doente quando entende que não se pode dizer de um assassino que ele seja um doente e desequilibrado. Querer colocar a insanidade e o homicídio como meras variantes dos sujeitos em sua diversidade é um erro. O adoecimento mental sofre sim de diversos tipos de preconceitos e que precisam ser combatidos. Mas confundir isso em casos como de quem entra numa escola matando quem vê pela frente num surto psicótico e querer dar a estes indivíduos a mesma condição de integridade social que a outros indivíduos é chamar de preconceito ao que não é e tomar a violência pelo ângulo errado.

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