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segunda-feira, maio 20, 2024

A desaceleração do excesso

O jornal New York Times, especialista em detectar tendências comportamentais, publicou recentemente matéria em que prevê que a chamada era “Peak TV” (traduzindo de maneira simples e direta – a época de ouro da televisão) “parece finalmente estar diminuindo”. Nos Estados Unidos, isso já é visível.

O entendimento é de que o suprimento interminável de nova programação característico da era do streaming, gerando séries e mais séries sem parar, e sobrecarregando o espectador, atingiu seu limite. A afirmação vem sustentada por números: caiu 24%, no segundo semestre de 2022, o número de séries adultas encomendadas por redes de TV e empresas de streaming destinadas ao público americano, na comparação com o ano anterior. Se comparar com 2019, a queda é de 40%. Esta tendência poderá levar algum tempo para se tornar visível para os telespectadores, devido justamente ao excesso do que está em produção ou já finalizado – leva meses para uma série de TV estrear depois que uma rede a encomenda.

Os mais atentos, mesmo entre nós, já tem percebido ou manifestado uma saturação da vontade e disposição de acompanhar as inúmeras séries oferecidas nas várias plataformas. É a oferta excessiva, que faz o mesmo com outros produtos e meios.

O jornal americano explica assim:

A queda é resultado de uma avaliação mais ampla dentro da indústria do entretenimento. Durante anos, os executivos da televisão gastaram bilhões de dólares em séries de TV para ajudar a construir seus serviços de streaming e perseguir assinantes. Os gastos foram uma bênção para escritores e produtores de alto nível, que conseguiram acordos de oito e nove dígitos, bem como para os atores, diretores e trabalhadores nos bastidores que mantiveram o motor funcionando.

Mas Wall Street azedou com a estratégia da compra a qualquer preço, quando a Netflix, a potência do streaming, anunciou que havia perdido assinantes pela primeira vez em uma década. Suas ações despencaram e outras empresas de entretenimento logo viram o preço de suas ações cair também. As empresas de Hollywood mudaram rapidamente, colocando uma nova ênfase em lucros mais altos em vez de contagens brutas de assinantes. Então, nos últimos meses, as empresas de entretenimento ficaram cada vez mais preocupadas com a desaceleração da economia, o movimento de diminuição dos assinantes da TV paga e um mercado publicitário problemático. Desde o verão (do hemisfério norte), dezenas de executivos foram demitidos abruptamente, medidas estritas de corte de custos foram adotadas e demissões ocorreram em todo o setor.

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