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quarta-feira, abril 17, 2024

A CULPA NÃO É DO JUDICIÁRIO

O Brasil é mesmo um país estranho. Tentem explicar a um estrangeiro porque estamos concedendo o direito de sair da prisão a um condenado cujas penas judiciais somam mais de 400 anos, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Simplesmente é impossível. Não tem lógica. Vê-lo indo para casa depois dos bilhões roubados em dinheiro público é um insulto ao cidadão de bem. Total incoerência.

E o problema dessa incoerência não parece estar no Judiciário. São nossos parlamentares, do Legislativo, que votam e fazem as leis. O Poder Judiciário só garante o seu cumprimento. Desde o Brasil Império, elas (as leis) são pensadas para facilitar a vida de quem se enredou com a Justiça- e em especial, eles próprios- os políticos. Temos um vício de origem no Brasil. Por aqui, tudo quase é pensado como alternativa para que a pessoa consiga ter o mais amplo direito–de escapar.

Depois de seis anos de cadeia e 24 condenações, o réu carioca vai agora cumprir a pena em um apartamento dez vezes maior que a cela em que ele estava preso. Vai desfrutar da vista da praia de Copacabana. Restrição mesmo, só a do uso de uma tornozeleira eletrônica. A prisão luxuosa de agora, na verdade, lhe dará o direito a usar a internet, mas estará proibido de ter contato com outras pessoas que não sejam os seus familiares. Dá para acreditar?

A coisa toda começa lá atrás, com o empenho do governo Bolsonaro para colocar fim na operação por conta de uma política de coalizão e que foi a causa do rompimento político dele com o seu antes, então, confiável ministro Sergio Moro. Não é difícil imaginar quantos e quantos políticos que estão aí na cena ou voltando a ela aos pouquinhos se beneficiaram do fim da Operação Lava Jato. Entre eles, segundo se ouviu durante todo o atual governo, o próprio senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, ex-presidente do Senado. Com o perdão do trocadilho, o fim da Lava Jato veio mesmo a “calhar”.

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