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quinta-feira, outubro 29, 2026

Especialista alerta para consequências legais de assédio e discriminação política no trabalho

O assédio e a discriminação por posicionamento político nas relações de trabalho podem gerar consequências jurídicas para empregadores e outras pessoas envolvidas. O tema foi abordado pela advogada e professora universitária Nelci Mânica, em entrevista ao Jornal da Manhã, com destaque para os direitos dos trabalhadores no período pós-eleitoral. Segundo a especialista, embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não tenha um dispositivo específico voltado à discriminação política, o ordenamento jurídico brasileiro oferece mecanismos de proteção. Entre eles estão o princípio constitucional da liberdade de voto e a Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias para efeitos de acesso ou manutenção da relação de trabalho.

De acordo com Nelci Mânica, quando uma demissão é motivada por posicionamento político, o trabalhador pode buscar a reparação judicial. Conforme as circunstâncias do caso e o enquadramento jurídico reconhecido, as consequências podem incluir a reintegração ao emprego ou a indenização em dobro correspondente ao período de afastamento, além de eventual reparação por danos morais. A especialista ressalta que situações de pressão, constrangimento ou retaliação relacionadas às escolhas políticas precisam ser avaliadas individualmente, considerando as provas e as circunstâncias em que ocorreram. Outro ponto destacado pela advogada é o compartilhamento de informações sobre preferências políticas de trabalhadores em redes sociais e aplicativos de mensagens.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classifica a opinião política como dado pessoal sensível. Por isso, a coleta, a divulgação ou o compartilhamento dessas informações para fins discriminatórios podem gerar consequências legais, conforme o contexto e a legislação aplicável. A criação e a circulação de listas com nomes de pessoas associadas a determinadas posições políticas também podem resultar em responsabilização, dependendo da finalidade, da forma de utilização dos dados e dos danos causados.

A orientação para trabalhadores que suspeitam de assédio ou discriminação política é reunir registros e documentos que possam comprovar os fatos e procurar os órgãos competentes. Entre os canais disponíveis está o Ministério Público do Trabalho (MPT), que recebe denúncias relacionadas a irregularidades nas relações de trabalho.

A abordagem reforça a importância do respeito à liberdade de opinião e de voto, sem que as escolhas políticas sejam utilizadas como motivo para constrangimentos, ameaças ou prejuízos profissionais.

Por: Redação Jornal da Manhã

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