Uma aliança estratégica entre o setor cooperativo de crédito — liderado pelo Sicredi —, entidades setoriais, o governo do Estado do Rio Grande do Sul e administrações municipais lançou, nesta quinta-feira (3), durante a 49ª Expointer, em Esteio, um edital voltado à gestão de riscos climáticos no agronegócio gaúcho. A iniciativa prevê a implementação de um sistema de última geração para a mitigação de tempestades de granizo baseado na dispersão de iodeto de prata a partir do solo, visando proteger lavouras e reduzir prejuízos econômicos na agricultura regional.
O projeto recebeu um investimento global de aproximadamente R$ 15 milhões, sendo R$ 8 milhões aportados pelo Sicredi para a aquisição inicial de 130 equipamentos automatizados, R$ 3 milhões provenientes do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Concevitis), além do custeio operacional e de manutenção assumido pelo governo estadual e pelas prefeituras parceiras. A nova tecnologia, fabricada no Brasil em parceria com a empresa catarinense Fischer sob licença francesa, substitui os antigos canhões antigranizo por geradores terrestres inteligentes, focando inicialmente a instalação em municípios da Serra Gaúcha e áreas de fruticultura e vitivinicultura.
Em visita à Casa do Jornal do Comércio na Expointer, o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, explicou que a medida busca reverter a insustentabilidade do seguro agrícola tradicional. Um levantamento do próprio ecossistema cooperativo apontou que, em três anos, a arrecadação de R$ 100 milhões em prêmios de seguro contra granizo foi superada pelos R$ 105 milhões pagos em indenizações. Ao introduzir o iodeto de prata nas nuvens, a tecnologia fraciona a água em cristais de gelo menores, reduzindo o tamanho das pedras e transformando potenciais tempestades destrutivas em precipitações leves, preservando a produção e a viabilidade das apólices no Estado.

