O papel estratégico do biodiesel na matriz energética brasileira foi o tema central do seminário “O Biodiesel na Agroenergia”, promovido pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO) durante a 35ª Expointer, em Esteio (RS). Especialistas reunidos no encontro apontaram que o país dispõe de viabilidade técnica e agrícola para elevar o percentual de mistura do biocombustível ao diesel fóssil acima de 10% (B10), sem causar prejuízos ao abastecimento interno de alimentos ou aos volumes de exportação do agronegócio.
De acordo com a Embrapa Agroenergia, a projeção de área voltada ao cultivo da soja é suficiente para suprir esse aumento de demanda. O atendimento ao patamar de B10 demandaria 35,4% da safra projetada do grão, que hoje tem cerca de 14% de seu volume direcionado à produção de óleo para o biocombustível. Além do grão, o debate ressaltou o uso de matérias-primas alternativas, como crambe, pinhão manso e o sebo bovino — este último responsável por 15% do material utilizado e decorrente do aproveitamento de resíduos da pecuária.
Sob a perspectiva econômica, dados de órgãos como o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) destacaram a capacidade da medida em conter a dependência de importações de óleo diesel fóssil. A substituição gradual reduz a necessidade de divisas internacionais e alivia gargalos logísticos. O evento contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Frente Parlamentar do Biodiesel, que reforçaram o alinhamento do setor com práticas ambientais e de preservação.

