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terça-feira, julho 21, 2026

E se os Guarani inventaram o futebol?

Muito antes de o futebol ser regulamentado pelos ingleses no século XIX, cronistas jesuítas já descreviam, nas antigas reduções da Província do Paraguai, um jogo de bola praticado pelos Guarani com os pés. Conhecido como mangá ñembosarái, esse jogo aparece em fontes como o Tesoro de la Lengua Guaraní, de Antonio Ruiz de Montoya, publicado em 1639, onde o termo “manga” é associado à bola feita de resina vegetal, semelhante à borracha. As descrições dos séculos XVII e XVIII ajudam a imaginar a cena. José Cardiel, em 1771, registrou que os Guarani costumavam jogar após as missas de domingo, sem usar as mãos, impulsionando a bola com os pés descalços, com agilidade e precisão. José Manuel Peramás, jesuíta catalão que viveu na redução de San Ignacio Miní, também descreveu a prática em 1793. Não havia traves, goleiros ou regras iguais às do futebol atual, mas havia uma dinâmica própria: uma bola resistente, equipes em disputa, domínio corporal e uma atividade capaz de mobilizar a comunidade. O relato de Peramás voltou a ganhar visibilidade em 2010, quando o jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, retomou sua descrição sobre o jogo praticado pelos Guarani nas reduções. A referência chamou atenção justamente por mostrar que a prática não era apenas uma curiosidade isolada, mas estava documentada em fontes históricas ligadas à experiência missioneira. A memória do mangá ñembosarái tem sido valorizada no Paraguai por iniciativas culturais contemporâneas. A Secretaría Nacional de Cultura contribuiu para divulgar essa história por meio de materiais audiovisuais e ações de valorização do tema, apresentando o mangá como uma prática ligada ao gigantesco patrimônio cultural guarani. 

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