A votação simbólica talvez seja hoje um dos instrumentos mais convenientes da política brasileira para diluir responsabilidades individuais dentro do Congresso Nacional. Criado para acelerar deliberações consensuais e destravar a pauta legislativa em matérias de baixa controvérsia, o mecanismo vem sendo progressivamente banalizado como uma espécie de zona de conforto institucional para parlamentares que desejam aprovar projetos polêmicos sem deixar registrada a própria posição política. Em tese, o modelo tem utilidade legítima. Nas votações simbólicas, o presidente da sessão pergunta aos parlamentares favoráveis que permaneçam como estão, sem registro individualizado dos votos.

