Kaingang, Guarani e Charrua não são nomes de povos extintos. São povos presentes no Rio Grande do Sul, com línguas, vínculos territoriais e lutas que atravessam o presente. O Censo de 2022 registrou cerca de 36 mil indígenas no Estado, vivendo em terras demarcadas, acampamentos, áreas rurais e espaços urbanos. Tratá-los como passado não é apenas erro historiográfico. É uma operação política com efeitos concretos. Há muito a antropologia afastou a ideia de que a identidade indígena dependa de uma imagem congelada no tempo. O pertencimento étnico não se mede pela distância em relação ao mundo contemporâneo, mas pelo autor reconhecimento e pelo reconhecimento da própria comunidade. Usar celular, frequentar universidades, viver nas cidades ou disputar espaços públicos não torna ninguém menos indígena.
Povos do presente

