16 C
Ijuí
sábado, agosto 29, 2026

Presidente Bolsonaro sanciona LDO de 2023

O presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, norma que dá os parâmetros para o Orçamento Geral da União do próximo ano. Ele vetou 36 dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional, mas manteve as emendas de relator – mecanismo que ficou conhecido como “orçamento secreto”. Um dos vetos devolve ao Executivo o poder sobre a definição dessas emendas, que os parlamentares tinham transferido para o Legislativo.

Publicado ontem no Diário Oficial da União (DOU), o texto afirma que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, que é o Orçamento final, “conterá reservas específicas para atender a emendas classificadas com identificador de resultado primário 9 (RP9)” – o nome técnico das emendas de relator.

As emendas RP9 se tornaram um dos principais instrumentos de negociação política do governo com o Congresso, mas são criticadas por diversos especialistas em contas públicas, que afirmam que elas têm baixo grau de transparência.

A LDO de 2023 também prevê que o Orçamento do ano que vem “conterá reservas específicas” para emendas individuais e de bancada estadual de execução obrigatória.
Bolsonaro vetou o trecho 2023 que estabelecia que o presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e o autor da emenda parlamentar seriam os responsáveis por determinar os “beneficiários e a ordem de prioridades” das emendas de relator geral.

Segundo técnico do Congresso Nacional ouvido pelo Valor, a mudança, se confirmada, faz com que “a definição sobre o uso dos recursos deixe de ser realizada pelo Legislativo e volte para o Executivo” e “troca o poder de um lado para outro”. Todos os vetos realizados por Bolsonaro ainda serão analisados pelo Congresso e poderão ser derrubados pelos parlamentares.

O trecho em questão diz que “a execução das programações” das emendas de relator “deverá observar as indicações de beneficiários e a ordem de prioridades feitas” pelo presidente da CMO e “pelo respectivo autor da emenda”.

Ao justificar o veto na mensagem ao Congresso, Bolsonaro afirma que “em que pese a boa intenção do legislador”, a definição feita pelos parlamentares “contraria o interesse público”.

Isso porque “investe contra o princípio da impessoalidade, que orienta a administração pública, ao fomentar cunho personalístico nas indicações e priorizações das programações decorrentes de emendas e amplia as dificuldades operacionais para a execução da despesa pública”.

Além disso, “a indicação de beneficiários pelo autor das emendas” diminui “a flexibilidade na gestão orçamentária e poderia ter impacto na qualidade do gasto público”. Essa indicação normalmente é feita “pelos respectivos órgãos da administração pública, conforme os parâmetros e as diretrizes setoriais”.

Por fim, a mudança “aumentaria a rigidez orçamentária e retiraria do Poder Executivo a prerrogativa de detalhamento dessa limitação conforme as necessidades de execução dos órgãos públicos e com vistas ao atendimento de despesas essenciais e inadiáveis”.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2023 será apresentado pelo governo federal até 31 de agosto.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, coloque seu comentário!
Por favor, coloque seu nome aqui

spot_img

Últimas NOTÍCIAS