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sexta-feira, dezembro 9, 2022

O PIOR TERMINOU. SERÁ?

Escrevo estas mal traçadas linhas às 15h de domingo. Isto significa que não são conhecidos os resultados da eleição para governador e presidente da república. Me confesso aliviado. Pelo que vejo e ouço por aí muita gente comunga deste sentimento. Isso gera tristeza, preocupação e certa decepção com a raça humana.

Nasci sob o signo do bipartidarismo onde a liberdade de “falar tudo que tenho vontade” movia o país, unia defensores da democracia ampla, irrestrita sem divisões partidárias. Hoje os tempos são outros. A tecnologia oferece inúmeros canais, ferramentas e plataformas para pesquisar a verdade e difundir ideias, cerzir parcerias, amizades.

Apesar de tamanha oportunidade o mundo enveredou por uma trilha obscura ao transformar a tecnologia em arma de destruição em massa. A profusão de conteúdo inspirado pelo ódio assusta até aqueles que no passado pegaram em armas. Para garantir a democracia. E para assaltar, sequestrar e matar.

A memória – curta e seletiva – das pessoas faz pensar nesta gente que vive numa realidade paralela. Do tipo que pensa: “O mundo assim mesmo, como eu quero que seja”. É surrada a constatação sobre rupturas familiares e afetos durante os eventos eleitorais. Passada a refrega política cujo (baixo) nível superou as anteriores, resta refletir sobre prejuízos auferidos em discussões marcadas por palavras de baixo calão.

Na virada do ano enfrentaremos os mesmos problemas. Personagens conhecidos ocuparão as manchetes, novos líderes surgirão com novos discursos, logo serão vergados para a mesmice que há décadas empobrece o debate político. Em breve teremos eleições municipais. As contendas serão paroquiais, mas as estratégias para chegar ao poder a qualquer custo estarão presentes. E renovadas com novas roupagens tecnológicas, dispositivos de última geração, avanços usados para retrocessos.

Resta aceitar que a trajetória da democracia é assim mesmo, com melhorias e retrocessos, embora os fanáticos joguem pedra diante dos reveses. Muitos, hoje, se arrependem do que disseram, escreveram ou provocaram. Mas agora é tarde. Cicatrizes contarão a história verdadeira que sabotou amizades, implodiu família, dilacerou relacionamentos. Até quando isso continuará? Valeu a pena tudo isso?

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