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segunda-feira, outubro 3, 2022

Área de soja com irrigação cresce no Estado

Ferramenta que ajuda a reduzir os efeitos da estiagem – com ciclos recorrentes no Rio Grande do Sul –, a irrigação tem bastante terreno para ganhar. Do ciclo 2020/2021 para o 2021/2022, a área com uso do sistema na safra de verão teve avanço tímido. Dados da Radiografia da Agropecuária Gaúcha deste ano, divulgados na Expointer, mostram que na soja, principal cultura da estação, apenas 2,38% da área faz uso do recurso – um acréscimo de 21,6 mil hectares na comparação com o ano anterior. Diretor do Departamento de Políticas Agrícolas e Desenvolvimento Rural da Secretaria da Agricultura, Paulo Lipp, pondera que, de um ciclo para o outro, isso representou, na soja, um crescimento de 17%. E lembra que, neste ano, houve falta de disponibilidade de água, energia elétrica, crédito nas linhas do BNDES e equipamentos. Um cenário que dificultou a expansão.

Para o coordenador da Comissão do Meio Ambiente da Farsul, Marcelo Camardelli, outro entrave está na legislação ambiental. “Precisamos avançar, seja na alteração das regras ou na interpretação das mesmas dentro do limite da legislação. O Rio Grande do Sul é um Estado com recursos hídricos excelentes. O que faltam são ferramentas para armazenagem.”

Camardelli se refere à reserva de água em áreas de preservação permanente (APP), no radar do setor há alguns anos.

Gerente comercial nacional da Fockink, Juan Latorre, pontua que, nos últimos dois anos, a demanda por equipamentos cresceu 30%. O movimento fez a empresa, de Panambi, se redimensionar. “Ampliamos tanto os recursos humanos quanto a área de TI para atender a esse aumento. Iniciativas públicas buscam fomentar o uso do sistema. O programa Avançar RS destinou mais de 70% do total de R$ 275,9 milhões para ações voltadas à irrigação neste ano. “

No campo, outra forma de fazer chegar a irrigação tem sido a crescente rotação de culturas como a soja e o milho, que começa a ganhar mais espaço, em áreas de arroz (que é praticamente 100% irrigada).

O secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), Domingos Velho Lopes ressalta a importância de manter o campo bem servido de água. “Ela, que provém naturalmente da chuva, pode ser suprida por ferramentas desenvolvidas para a agricultura, como é o caso dos sistemas de irrigação. É vital para o Estado”.

A forte seca recente trouxe lições, especialmente no que diz respeito ao âmbito jurídico relacionado à agricultura. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) criou, no começo do ano, o Grupo de Trabalho Políticas Públicas de Preservação de Águas, que pretende consolidar uma jurisprudência para a mediação mais célere, por exemplo, da possibilidade de reserva em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Entre os encaminhamentos do GT, todos baseados na interpretação da legislação vigente, está a dispensa do licenciamento ambiental para a irrigação por aspersão ou localizada em açudes cuja bacia de acumulação não ultrapasse 5 hectares. A partir deste índice, e até 110 hectares, a competência é municipal, e para locais maiores, a análise é por conta do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

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