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sexta-feira, setembro 30, 2022

País terá ganho de 1,5 mi de toneladas de trigo

O Rio Grande do Sul terá a maior safra de inverno de sua história. O grande responsável pela projeção de recorde é o trigo. Das 5,06 milhões de toneladas previstas para a temporada de meio de ano, 3,99 milhões de toneladas devem ser do cereal, cuja área plantada deve ser a maior desde 1980.

Mesmo com um aumento de produção de 12% em relação à safra de 2021 e de 90% em relação à safra de 2020, a produtividade do trigo poderia ser ainda maior no Rio Grande do Sul e no Brasil. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estima que o País teria potencial de ampliar sua produção em 1,5 milhão de toneladas ao adotar boas práticas de cultivo do trigo.

O trabalho abrangeu 457 municípios de 79 microrregiões nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, além do Distrito Federal e utilizou um método inovador para identificar locais em que o rendimento das lavouras está abaixo do potencial e poderia melhorar com a adoção de recursos já disponíveis.

De acordo com o estudo, apenas em Cruz Alta e Santo Ângelo, por exemplo, a capacidade de melhorar o rendimento faria as safras crescerem em mais de 90 mil toneladas.

Descobrir qual poderia ser a maior produtividade alcançada por uma lavoura em determinada área foi o primeiro passo para estabelecer um patamar a atingir e estimar as lacunas de rendimento. “As estimativas são baseadas no que já foi observado: são potenciais alcançáveis, resultados que já ocorreram em condições semelhantes”, explica Milena Yumi Ramos, pesquisadora da Gerência-Geral de Inteligência e Planejamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Embrapa.

A base utilizada foi a série histórica de dados de produtividade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2003 a 2018, comparando regiões homogêneas de adaptação de cultivares de trigo. Por meio desse método observou-se, por exemplo, que, na região de clima frio e úmido gaúcho, agricultores da microrregião de Vacaria colheram, em média, 3,2 mil quilos de trigo por hectare (kg/ha). Em outras áreas de condições semelhantes, o rendimento foi de até 1.575 quilos menor.

Com a continuidade da guerra na Ucrânia, nação considerada o celeiro da Europa e uma das principais fornecedoras de trigo no planeta, além de responsável por 30% da produção global, a demanda mundial pelo cereal continua crescente – o que aumenta a parcela do Brasil neste mercado internacional e a responsabilidade do Rio Grande do Sul.

Apenas no primeiro trimestre do ano, o volume de trigo exportado chegou a 1,97 milhão de toneladas, o maior de toda a série histórica iniciada em 1997. Com demanda em alta e oferta limitada, os preços médios do produto subiram 39,3% em relação ao mesmo período de 2021. Durante todo o ano passado, foram exportadas 2,6 milhões de toneladas – um resultado que já dobrou o volume exportado na safra de 2020, que foi de cerca de 1,3 milhão de toneladas. O plantio de trigo já atingiu 100% da área no Rio Grande do Sul. A mais recente estimativa de cultivo de trigo no Estado divulgado pela Emater aponta, para a safra 2022, uma área de 1,4 milhão de hectares. A produtividade estimada permanece em 2.822 kg/ha.

Atualmente, a fase predominante da cultura é o desenvolvimento vegetativo, com 88% dos cultivos nessa situação. Em florescimento são 11%, e em enchimento de grãos aproximadamente 1% das lavouras.

Aquelas que estão nestes dois últimos estágios localizam-se predominantemente a Oeste do Estado e demandaram atenção dos triticultores por eventuais danos provocados pelas geadas, ocorridas nos dias 19 e 20 de agosto.

Entretanto, ainda não foi possível avaliar e quantificar os possíveis danos com exatidão, pois só serão aparentes nas espigas com o passar dos dias.

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