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segunda-feira, outubro 3, 2022

Médica frisa a importância da doação de órgãos

Nessa hora, é a família quem decide se os órgãos serão doados ou não. Para ser doador é bom conversar com a família antes

A rotina de transplantes de órgãos foi diretamente afetada pela pandemia de covid-19. Procedimentos foram suspensos e muitos doadores não puderam fazer a doação em razão da alta taxa de contaminação da doença. Isso fez com que a fila de espera em todo o Estado, e também no País, tivesse aumento no período.

No Rio Grande do Sul, segundo a Central de Transplantes, mais de 2,5 mil pessoas estão à espera de um transplante de órgão. No entanto, devido ao avanço da vacinação e da redução de casos positivos, e consequentemente de mortes, foi possível retomar os procedimentos, mas não como era na média anteriormente.

No Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), a média de transplantes realizados anualmente antes da pandemia era de 10, mas desde que foi possível a retomada, três transplantes renais foram feitos na casa de saúde. “A pandemia impactou muito no número de transplantes no País. De 2011 a 2019, por exemplo, houve crescimento nos transplantes de rim no Brasil em torno de 20%. Com a pandemia, nos anos de 2020 e 2021, esse número caiu 24%”, salienta a médica nefrologista do HCI, Maria Leocádia Padilha. Ela explica que na primeira fase houve redução porque houve superlotação dos hospitais por causa da pandemia, que acometeu a população de forma grave e impactou o serviço público de saúde, no uso de UTIs. “Os hospitais que têm alta complexidade tiveram que atender os pacientes com covid. Então não conseguiam mais transplantar.”

Maria Leocádia ressalta que neste ano, quando começou a onda da nova cepa da ômicron, houve uma queda maior ainda no número de doadores, porque embora os casos não fossem mais graves, houve doadores positivos.

O número de transplantes, que teve queda com a pandemia, ainda não apresenta uma retomada consistente. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, em 2019, foram quase 700 transplantes. O número caiu em 2020, mas não tanto, chegando a 500. Piorou em 2021, chegando a 420 transplantes. Em 2022, até junho, foram 221.

A médica atribui a redução de casos justamente à pandemia. Segundo ela, a negação das famílias não foi um fator determinante neste momento. “Nessa hora, é a família quem decide se os órgãos serão doados ou não. Para ser doador é bom conversar com a família antes de qualquer evento para que eles saibam que você tenha a vontade de doar os órgãos. O principal fator foram os casos positivos de covid”, declara.

Maria Leocádia diz que o Hospital está empenhado para que o programa de transplantes continue e retome sua força. “Nós do HCI damos todo incentivo para a doação de órgãos e todo o apoio necessário. Continuamos com esse trabalho que se dá há mais de 30 anos.”

Atualmente, o HCI realiza captação e transplantes renais. No município, o Hospital da Unimed não realiza o transplante, mas faz a captação. A casa de Saúde está credenciada no Sistema Nacional de Transplantes para captação de órgãos e tecidos. Desde a retomada, já foram feitos procedimentos de captação.

Já o Hospital Bom Pastor não realiza no momento nenhum tipo de transplante, mas está na fase de credenciamento para fazer transplante de córnea.

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